Rafael Pieroni: um mergulho na infância

Fotógrafo inaugura na terça-feira a exposição “Tornar-se o que se é” na Galeria Fernanda Monteiro

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Maíra Fernandes
maira.fernandes@jcruzeiro.com.br

Há seis anos, o fotógrafo sorocabano Rafael Pieroni passou a registrar imagens que remetessem à infância, à terra, a detalhes e sensações. Nesgas de janelas, paisagens e um banco solitário foram alguns desses momentos captados ao longo desses anos, e que chegam ao público na terça-feira (2), na exposição batizada de Tornar-se o que se é. Com 26 imagens na parede, mais algumas cópias teste, apontamentos e anotações do processo e algumas experiências com vídeo, a mostra segue até o dia 3 de julho, na galeria Fernanda Monteiro.

“É um trabalho onde o artista busca, dentro de si, a construção do mundo e seu lugar de pertencimento. Ao percorrer este caminho se aproxima das pequenezas, da terra, do grão da terra, da gota da chuva, propondo uma comunhão com a unidade que, ao seu modo de ver, pode proporcionar o alcance do todo”, defende a galerista Fernada Monteiro sobre o trabalho do fotógrafo que, segundo ele, é um projeto que não está fechado, mas em fase de desenvolvimento.

A infância, por constituir um lugar de conhecimento, de experimentação, de primeiros contatos com tudo o que existe, permeou essa pesquisa de Pieroni. “Me divirto muito ao observar crianças e suas experiências, como quando, por exemplo, ela experimenta pela primeira vez o sabor de um limão ou sente na sua mão um cubo de gelo, são coisas pequenas, mas ali, naquele momento, o universo do ser se expande. Voltar a esse universo foi como voltar à casa, fazer um caminho de reconhecimento para então tornar-se o que se é verdadeiramente”, defendeu ele, reiterando que esse trabalho foi pensado de fora para dentro, permeado no estímulo visual. “É como buscar quais imagens ou estímulos de fora compõem o que existe dentro. Nós somos formados por camadas de imagens que se interpolam, se sobrepõem e terminam por dar forma às nossas manifestações mais diversas”, reflete.

Mesmo com um tom bastante íntimo, Pieroni reforça que se o fazer artístico sempre parte de uma necessidade pessoal, ele só se valida a partir do momento que trava um diálogo com o público, que é a tônica dessa sua pesquisa. “Falar sobre si, somente para si, sem que isso possa reverberar no outro constitui um monólogo”, explica. O que busca com seu trabalho é interpretar o mundo ao seu redor e recriá-lo, dando novos significados, subvertendo outros, brincando com os códigos, pontua.

Para a galerista Fernanda Monteiro, Rafael Pieroni alcança esse objetivo pois retoma e ressignifica o cotidiano de uma infância em contato com a natureza, base de um discurso sobre a humanidade presente nas pequenas coisas revelada através de uma pesquisa fotográfica ainda em curso, mas já com grande densidade, frisa a galerista, cuja iniciativa de abrir um espaço voltado às artes visuais contemporânea é elogiada por Pieroni. Para ele, ações como essa de Fernanda, somadas ao trabalho desenvolvido pelo Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) e de coletivos culturais como o Rasgada Coletiva, são de extrema importância. “Acho importante esta iniciativa para fortalecermos o eixo criador em nossa cidade e região, processo que vem acontecendo e se amplificando ao longo dos anos. Não estamos mais na periferia, somos produtores, somos distribuidores, somos consumidores. Estamos conectados com o que está acontecendo, produzimos daqui mesmo e circulamos a produção aqui e em outros territórios.”

Dentro da programação, Pieroni também falará com o público sobre o processo de criação do projeto, no dia 13 de junho (sábado), às 10h. A ideia é provocar o público a pensar a fotografia contemporânea, que é aquela que se descola da ideia do factual, do verídico, do documento expressamente histórico e isento de construção de narrativa.

Serviço

A exposiçãoTornar-se o que se é, de Rafael Pieroni, abre na terça-feira (2), às 19h30, na Fernanda Monteiro Galeria, que fica na rua Gustavo Teixeira, 600, Mangal. As visitas acontecem de segunda, quarta, quinta e sextas-feiras, das 14h às 19h. A entrada é franca

Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/613015/rafael-pieroni-um-mergulho-na-infancia

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