O legado de Frestas

O legado de FrestasFrestas_1

Maíra Fernandes

Responsável pelo aumento de 32% na média de público na unidade desde a inauguração, ocorrida em outubro, parte da mostra Frestas – Trienal de Artes do Sesc Sorocaba chega hoje a seu último dia. A partir de amanhã, os esforços serão para desmontar a exposição que ocorre também em quatro locais além do Sesc (Barracão Cultura, Palacete Scarpa, Museu da Estrada de Ferro Sorocaba e Pátio Cianê) e já receber as estruturas da segunda parte da trienal, Poipodrome, que substitui a O que seria do mundo sem as coisas que não existem?, e que abre ao público em 4 março e segue até o dia 3 de maio, em exposição apenas no Sesc.

Em rápido balanço, a coordenadora da trienal, Kátia Pensa Barelli, entende essa primeira etapa da trienal como positivo, e aponta alguns dos motivos. “Estamos contentes pois tivemos um número expressivo de visita, retorno de mídia em meios dentro e fora do Brasil. O Frestas foi notícia em muitos meios, em revista de arte que circula pela Europa, revista nacional de grande circulação, entramos na mapa da Fundação Bienal… Tudo isso são indicadores que nos levam a acreditar que estamos no caminho certo”, comemora a coordenadora, que vê como diferencial dessa mostra o fato de haver muitas obras inéditas, pensadas para o espaço que foram instaladas.

Além dessa análise, Kátia pontua que o público tanto local, regional, como de fora do Estado que veio prestigiar o evento, foi o responsável também pelo sucesso da empreitada, “nascido com a proposta de ser grande.”

“Por essa primeira fase, conseguimos perceber que o nosso projeto e nosso pressuposto de achar que Sorocaba tinha condições de abrigar um evento desse porte, foi confirmado. O projeto foi uma aposta para transformar Sorocaba em um polo de arte contemporânea, e saímos seguros de que esse potencial, de fato, existe e, com certeza, o evento terá vida longa, pois foi incorporado pela cidade.”

Desde a inauguração da trienal, no dia 23 de outubro, os números sustentam a afirmação da coordenadora. De acordo com levantamento repassado pela assessoria de imprensa do Sesc Sorocaba, o total de atendimento geral, da abertura até o dia 31 de dezembro, foi de mais de 100 mil nesse tempo, o que fez a média mensal de público na unidade pular para mais de 39 mil.

Nos demais locais que também recebem, até hoje, as obras, o atendimento registrado, também de outubro ao final do ano, foi de cerca de mais de 11 mil.

Outro ponto positivo da mostra, acrescente a coordenadora, é que dos 69 artistas que participaram da exposição O que seria do mundo sem as coisas que não existem?, com curadoria de Josué Mattos, 37 deles estiveram em Sorocaba. Ana Gallardo (Argentina), Bayrol Jimenez (México), Emmanuel Lagarriche (França), Carlos Castro (Colombia), Núria Güell (Espanha), Kilian Glasner (Brasil – Recife), Caetano Dias (Brasil – Salvador), Barbara Wagner (Brasil – Brasília), Victor Leguy (Brasil – SP), Marcelo Moscheta (Brasil – São José do Rio Preto) foram alguns dos que passaram por aqui. “É fundamental que o artista esteja junto, e tivemos um número bastante significativo, além disso, muitos grupos e outros artistas vieram prestigiar o evento”, conta Kátia que, agora, mira o foco para a desmontagem dessa primeira fase e já a implantação da segunda. “Ao longo dos próximos três anos que separam essa de um próxima trienal, esperamos continuar com um trabalho de formação, que não se esgota durante o evento, e trabalho com artistas da cidade”, planeja.

Próxima fase: Poipoidrome

No lugar da exposição O que seria do mundo sem as coisas que não existem?, que pode ser visitada só até hoje, a unidade receberá a Poipoidrome, em março, que marca a segunda fase da trienal e faz referência à obra homônima do artista francês Robert Filliou com colaboração do arquiteto Joachim Pfeufer, que propunha, a partir de 1963, uma reflexão sobre o que é a arte e quem são os artistas. A mostra segue até 3 de maio.

A nova exposição propõe que a arte, antes de ser um estado abstrato, seja uma ação, adiantam em material enviado à imprensa.

Serviço

A exposição O que seria do mundo sem as coisas que não existem? pode ser vista até hoje, no Sesc Sorocaba, que fica na rua Barão de Piratininga, 555. Além do Sesc, a mostra pode ser vista no Pátio Cianê (avenida Afonso Vergueiro, 823), no Palacete Scarpa (rua Souza Pereira, 448), Barracão Cultural (av. Afonso Vergueiro, s/nº, ao lado da estação ferroviária), e no Museu da Estrada de Ferro Sorocabana (rua Álvaro Soares, 553). Todas as exposições têm entrada gratuita

Estruturas da mostra são doadas à Prefeitura

Como reflexo da trienal, a cidade já herdou as estruturas usadas pela mostra Frestas. Toda a estrutura montada no Palacete e no Barracão, incluindo mostruários, paredes e iluminação, ficará agora com a Prefeitura. Essa parceria, explicou a secretária de Cultura, Jaqueline Gomes da Silva, possibilitou à cidade novos espaços voltados a arte: o Palacete que passa a ter uma galeria permanente para a exposição de obras produzidas por artistas sorocabanos, e o Barracão, que terá ampliada sua vocação de formação cultural. “O projeto Frestas trouxe para Sorocaba trabalhos de importantes artistas contemporâneos e reuniu um grande público, sendo comparada inclusive à Bienal de São Paulo e projetando a cidade em publicações de países como Argentina e Inglaterra. Agora, nos deixa este legado”, ressalta a secretária.

Com o término da primeira fase, as estruturas usadas passarão por um processo de desmontagem e reorganização. O diretor de Gestão da Secult, Régis Massaroto, afirma que a estrutura do Palacete Scarpa ficará montada permanentemente, voltada a exposições de trabalhos de artistas locais, sendo denominada Galeria Scarpa. “Em breve, vamos publicar edital de chamamento para que os artistas interessados em expor possam se apresentar nesse novo espaço”, explica.

Já a estrutura deixada para Barracão Cultural vai ser utilizada no Núcleo de Formação, projeto que irá oferecer ações voltadas à qualificação artística. Atualmente, o espaço vem sendo ocupado por cursos de iniciação artística do programa Mais Cultura.

Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/593117/o-legado-de-frestas

 

email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *