Fotógrafa transforma dupla exposição em arte

Fotógrafa transforma dupla exposição em arte

Profissional realiza trabalho artístico com dupla exposição misturando pessoas e natureza

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Pernambucana Stephanny Lotus, vive há cinco anos em Porto Alegre onde foi buscar novos horizontes artísticos e se aprimora nos estudos, hoje está cursando Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Desde menina estava rodeada de arte, devido sua mãe que gostava de se aventurar pela pintura, escultura e desenho.

Quanto à fotografia veio por meio de seu tio onde eles brincavam de fotografar. Hoje Stephanny faz incríveis trabalhos autorais voltados para ensaios artísticos, mas busca expandir seu conhecimento para áreas como registro de família, campanhas de esportes e editoriais de moda. Confira a entrevista completa:

Portal Photos: Como iniciou sua vida de fotógrafa?

Stephanny Lotus: Foi por causa do meu tio que tinha uma câmera e quando comprava filme eu brincava de montar cenários, fantasias, maquiagens quando eu tinha perto dos cinco anos. Depois, aos 16 anos, fiz um curso de fotografia básica analógica em 1999, no Senac do Recife, que não foi muito legal porque o professor só falava sobre fotografia de casamento e eu já pensava em retratos. Consegui aproveitar por causa dos amigos que fiz nesse curso, íamos para praias só para fotografar uns aos outros e por aí fui descobrindo o retrato.

PH: Como define seu estilo de fotografia?

SL: Então, nunca tive a preocupação de definir um estilo para as minhas fotografias, sempre estou em busca de novas experiências. Tem alguns artistas que me inspiram como o Germaine Krull, a Wanda Wulz, entre outros tantos, gosto sempre de olhar referências. As pessoas me inspiram também, muitas vezes estou conversando com alguém e consigo perceber pequenos gestos, ângulos e fico com vontade de descobrir mais sobre a pessoa, fotografando ela por exemplo. Não consigo achar uma única palavra que defina, prefiro expandir a rotular.

PH: O que despertou seu interesse para a realização do projeto Natureza Selvagem?

SL: Tive vontade de investigar meus retratos a fim de que esses refletissem alguma característica minha. O que encontrei foi o amor incondicional que tenho pela natureza, pelo nosso estado natural, selvagem, por isso chamo essa série de Natureza Selvagem. Quando estamos nus, por exemplo, dá pra sentir o vento tocando em todo corpo, ou a água, as texturas das coisas podem ser sentidas com outras partes do corpo que não seja as mãos. Esse contato tão sutil pode nós deixar em um estado bem interessante, bem natural.

PH: Como foi o processo criativo para o desenvolvimento do projeto?

SL: Trabalho com dupla exposição digital. Faço alguns retratos e fotografo imagens como flores, água, folhas, céu, horizontes onde já imagino como essas imagens podem interagir e diretamente na câmera brinco com a função de sobreposições. Na maioria dos ensaios eu uso uma analógica Nikon Fm2 que também faz duplas exposições. Coloquei muitos elementos da natureza a fim de que de alguma forma estejam em contato com o nosso corpo, seja pela textura, cor, forma, etc.

PH: Como realizou a composição das fotografias?

SL: As composições surgem naturalmente, claro que na hora de fotografar existe uma preocupação, mas vou experimentando. Muitas vezes na pós-produção descubro que algumas fotografias funcionam juntas, daí faço composições de duas ou mais fotos, essas montagens permitem uma dinâmica de movimento na leitura das imagens.

PH: E a direção da cena?

SL: Procuro trabalhar o mais naturalmente possível e não faço uso de apelo sensual, dessa forma a sensualidade aparece naturalmente. Mantenho o foco na pessoa fotografada, durante o ensaio a concentração é voltada para o agora sem aflições quanto ao resultado final. Acredito que o meu trabalho com a direção é mais de distrair do que provocar.

PH: E o tratamento das suas imagens?

SL: Eu prefiro trabalhar com o câmera RAW do Photoshop, gosto de tratar cada imagem em especial. Tenho uma preocupação em não tratar a pele da pessoa, claro que se tiver uma espinha gigante eu tiro ou alguma coisa que incomoda muito a pessoa fotografada eu só amenizo, mas não tiro totalmente. Acredito que vale muito a pena trabalhar a iluminação no momento do click, por isso não me importo com o tempo que vou ficar fotografando, mas editando eu não me dedico muito, na maioria das vezes faço somente a revelação digital.

PH: Qual mensagem você quer passar para as pessoas que observam suas imagens?

SL: Acho bacana quando as pessoas me perguntam como eu fiz tal imagem, porque eu gosto de explicar como fiz. Não acredito que sejam todas lindas e perfeitas, acho muito interessante também quando alguém diz que não gostou por isso ou por aquilo. O importante pra mim é que provoque alguma expressão e que isso reflita em mim para que eu me questione e procure melhorar. Por isso, a mensagem que eu sugiro é de que “nós somos feitos de matéria estelar”’, como disse o astrônomo Carl Sagan em 1980. Está tudo conectado, e nossa retina pode nós afastar muito da natureza.

PH: Qual o próximo passo?

SL: Na verdade esse projeto está apenas começando, eu pretendo aprimorar mais e fotografar muito. Fiz uma impressão de um livro fotográfico a fim de ver o resultado impresso de algumas imagens, isso me levou a querer fazer mais coisas. Vamos realizar uma exposição aqui em Porto Alegre em um parque ao ar livre, algo diferente e em contato direto com a natureza, vou usar árvores para expor as fotografias e convidar as pessoas a ficarem descalços para assim apreciar as imagens.

Fonte: http://photos.com.br/fotografa-transforma-dupla-exposicao-em-arte/

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