Cidades-fantasma do Chile viram tema para Dimitri Lee

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Prevista para ser aberta no dia 10 de fevereiro, na Galeria de Babel, a exposição “Salitreiras”, de Dimitri Lee, reúne 16 imagens feitas nas cidades salitreiras da região norte do Chile – redutos industriais que tiveram seu auge na primeira metade do século 20 e que são agora cidades-fantasma. A exposição fica em cartaz até o dia 28 de março.

Em uma viagem ao Deserto do Atacama para testar uma nova câmera panorâmica, Dimitri Lee tomou conhecimento sobre a história das cidades salitreiras e decidiu investigar. Encantado pelo que encontrou e atormentado pela falta de registros fotográficos da região, deu início a uma série de viagens, munido de uma câmera para filme de 8 x 10 polegadas.

Ele explica que há poucas trabalhos fotográficos sobre as salitreiras e existem centenas delas. Algumas estão em bom estado de conservação, outras semiconservadas e exitem as que são quase sítios arqueológicos, com ruínas. “Há na exposição a foto dos resquícios de uma torre, que é tudo o que resta de uma dessas salitreiras”, diz.

Essas cidades industriais de exploração do salitre iniciaram a atividade no final do século 19 com capital inglês e tecnologia alemã. “O salitre serve para a produção de fertilizante e de pólvora. Rendeu muito dinheiro em tempos de paz e mais ainda em guerra”, explica o fotógrafo. Com o advento da amônia sintética, que possibilita a produção de fertilizante industrial, as salitreiras entraram em colapso. Foi após essa crise que a Bolívia acabou perdendo para o Chile sua saída para o Oceano Pacífico.

Entre 2005 e 2011, Dimitri Lee fez muitas viagens à região. A opção pela câmera de grande formato tornou o processo mais lento. “Os hotéis mais próximos ficam pelo menos 200 km distantes da região. Acordava de manhã e ia pra lá fotografar. Há quem diga que a qualidade das 8 x 10 continua superior às das câmeras digitais ainda hoje. Optei por esse equipamento por gosto pessoal. Mas só conseguia carregar dez chapas de filme por vez na mochila”, conta ele. Com isso, Lee podia fazer apenas dez cliques a cada ida às salitreiras.

As imagens foram digitalizadas e impressas no MR Estúdio Digital em jato de tinta piezográfica sobre papel de algodão. O estúdio é um dos pouquíssimos que contam com uma impressora de 160 cm para esse tipo de tinta, à base de carvão – apenas pigmento, sem corante. Essa técnica confere às impressões maior riqueza de tons de cinza e também muito mais durabilidade.

Embora Dimitri Lee tenha feito registros da região, não enxerga seu trabalho como um documento histórico. “Fui para lá como turista. Não pertenço àquele local, não tenho conexão com essa história. O meu registro é artístico”, diz. “Mas essa história ainda vai precisar ser contada”, conclui.

Exposição “Salitreiras”, de Dimitri Lee Abertura da exposição: 10 de fevereiro, às 19h30

Visitação: de 11 de fevereiro a 28 de março

Horário: De terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h

Local: Galeria de Babel  – Vila Modernista

Endereço: Alameda Lorena, 1257 – casa 2 – Jardim Paulista/SP

Para ver mais fotos: http://www.fotografemelhor.com.br/grande-angular/cidades-fantasma-do-chile-viram-tema-para-dimitri-lee/#sthash.abgvC75a.dpuf

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